No Sábado de Carnaval o Rio testemunhou mais um caso bizarro de violência na cidade: um policial federal de 26 anos, matou com 4 tiros outro policial federal, de 40, dentro de uma festa de música eletrônica na Marina da Glória.
O motivo? Ainda está sendo debatido, mas o policial de 26 anos já foi preso e se encontra, surpreendentemente, em um presídio no Rio. Segundo o jornal O Globo informa, o policial que efetuou os disparos era conhecido dos organizadores da festa, que o chamaram para tratar com o outro policial, que havia criado um problema na entrada da festa por não ter deixado a arma dele “acautelada” na porta.
Independente do por quê, de quem, etc… essa tragédia tem um script conhecido, pois policiais, normalmente, se recusam a deixar armas em portas de casas noturnas e festas. É o velho conhecido dos brasileiros “você sabe com quem está falando”, afinal, a “autoridade” não quer ficar desarmada e aí, expõe todos os frequentadores do local ao perigo que é uma arma de fogo em local de alta densidade de público, onde brigas podem levar a tragédias, como a da semana passada.
Ah, o policial acha que está correndo risco se entrar desarmado? Então vá se divertir em outro lugar, oras, o público não se importa com isso, nem tem nada a ver com isso. Fazendo um paralelo é como a lei seca: muita gente prefere beber e dirigir, contando com a sorte ou com alguma ferramenta para escapar das blitzes, seja o twitter, seja uma carteira com algum brasão ou apenas uma carteira com bastante dinheiro (já conheci e ouvi casos dos três tipos) e dane-se a população ou quem for morrer por culpa de um bêbado no volante. “Eu” sou mais importante, assim como “meu” divertimento e “eu” sei que eu bêbado não dirijo tão mal assim.
O pior de tudo é que os policiais e militares são amparados por lei nisso, afinal, no Brasil manda quem pode, obedece quem tem juízo. Qual o motivo para um policial estar armado dentro de um lugar desses se não está de serviço? O policial federal que atirou é lotado em Manaus, por que tinha que estar armado dentro de uma festa com sei lá quantas mil pessoas no Rio de Janeiro, na noite de carnaval quando o álcool rola mais solto ainda que nas noites normais? Com que autoridade o organizador da festa permite a entrada de um policial “amigo” armado e exige que outro, desconhecido, deixe a arma na porta? É o velho Brasil… afinal, os organizadores são os “donos” da festa e quem manda são eles, não as leis.
Há alguns meses os apaixonados por futebol devem ter visto a guerra campal que se instalou em um estádio do Paraná após um jogo. Um fato que não foi comentado e que merecia ter sido é que os policiais militares que estavam em campo naquele dia estavam desarmados. A confusão só terminou quando o reforço armado entrou em campo. E o que tem isso? Tem que é como o controle de multidão deve ser feito. O governo do Paraná merecia ser elogiado por isso. É o certo. Quem está ali em contato com a multidão fica desarmado (o melhor seria se contassem com armas não-letais, como tasers e balas de borracha) e, aí talvez tenha sido o erro deles, mas um apoio armado fica na retaguarda, sendo acionado apenas em caso de necessidade.
Qual a lógica da proposta acima? Proteger o cidadão (e o Policial Militar, se a lei fosse aplicada e ele respondesse por casos de violência desnecessária, o que não é sempre que acontece). Mas proteger o cidadão não é, muitas e muitas vezes, o objetivo das forças policiais ou dos próprios policiais.
Acredito que o policial dentro de sua área de serviço E EM SERVIÇO, deva poder entrar armado até em locais fechados e com muita gente, se for necessário. Se for só pra ir bater papo com os amigos, como já testemunhei acontecer mais de uma vez, também não deveriam poder entrar armados, pois o público fica menos seguro dessa maneira e, na teoria, o bem do público deveria ser a primeira consideração de quem é pago pelo próprio público para defende-lo.
Porém, isso é só a teoria. Na prática tudo continuará igual e notícias como essas continuarão ocorrendo… Afinal, quanto tempo faz que aquele rapaz foi morto na porta de uma boate no Rio por um PM que fazia a segurança do filho de uma juíza (que, teoricamente, estava sendo ameaçado de morte junto com a mãe e, mesmo assim, estava numa das boates mais conhecidas da cidade)?