Este post será curto.
Desde o terrível terremoto do dia 12 de Janeiro no Haiti, diplomatas franceses, italianos e brasileiros principalmente (cubanos e venezuelanos também, mas esses não contam), têm reclamado da virtual ocupação americana no país. Entre as reclamações está a de que os americanos têm privilegiado os vôos deles para pousos e decolagens no aeroporto da capital Porto Príncipe. Chegou-se ao cúmulo do ministro Nelson Jobim, cujo avião estava circulando o aeroporto há algum tempo, ordenar que sua tripulação pousasse à revelia do controle aéreo (e da segurança aérea, colocando em risco a vida da tripulação e dos outros passageiros). Bem brasileiro. Só faltou ter pego o rádio e perguntado: “do you know who are you speaking to?”. Já um ministro italiano chegou a dizer que a atuação dos EUA era patética.
Nessas ocasiões sempre há alguém querendo expressar a dor de cotovelo contra os americanos, que sim, chegam e dominam mesmo. E, afinal de contas, ninguém gosta de um vizinho que é muito mais forte e rico que você e com quem você não pode falar muito alto!
Ok, vamos parar com as teorias e vamos aos fatos.
No 1- Em menos de 3 dias e após um terremoto que, literalmente, devastou o país, o grupamento de operações especiais da Força Aérea Americana conseguiu fazer o aeroporto de Porto Príncipe voltar a funcionar e aumentaram a sua capacidade dos 25 vôos diários que recebia em “tempos normais”, para mais de 180 atualmente, mesmo com toda a estrutura do aeroporto, incluindo sua torre, tendo sido destruída. Lembro aos que não conhecem controle aéreo, que isso significa coordenar vagas no pátio, táxi de aeronaves, embarque e desembarque de cargas, armazenamento dessas cargas, rotas de aproximação e decolagem, slots de pouso e decolagem e re-abastecimento de aeronaves.
E a comunidade internacional acha que os EUA privilegiam os vôos deles próprios? Porque se fossem os franceses que tivessem feito isso, eles iriam dar prioridade para os vôos brasileiros e americanos? Sendo que não se noticiou, mas nos primeiros dias até mesmo vôos da própria Força Aérea Americana não puderam aterrisar. E se fosse o pessoal da ANAC e da INFRAERO lá? Isso tudo ia ter acontecido em 3 dias? Bom, pelo menos um outdoor com “Estamos trabalhando para transformar o aeroporto de Porto Príncipe em um dos 10 melhores do mundo” ia ter subido, com certeza! Igual ao Galeão, no Rio, onde nem o ar condicionado funciona direito, assim como a maioria dos elevadores e esteiras de bagagem.
No 2- Na costa do Haiti encontram-se nesse momenta mais de duas dúzias de navios americanos, incluindo um porta-aviões nuclear, que serve de base para as maisd e duas dúzias de helicópteros da Marinha e da Guarda Costeira que estão sendo usados lá para distribuição de mantimentos e remoção de feridos. Junto do USS Carl Vinson está o USNS Comfort, um navio hospital com mais de 1.000 leitos, 12 salas cirúrgicas e 80 leitos de CTI. Além disso os americanos começaram a construir, em terra, um hospital que em plena capacidade absorverá 5.000 pacientes. Os EUA já levaram alguns aviões cheios de refugiados para os Estados Unidos também.
No 3- O Brasil deseja tomar mais a dianteira nos esforços de reconstrução e está tentando organizar (e receber autorização do Congresso) o envio de mais 1.300 soldados para o Haiti. Quando isso acontecerá ainda não se sabe. O que se sabe é que, cinco dias depois do terremoto, mais de 5.000 pára-quedistas e fuzileiros navais americanos estavam no Haiti, número que chega a mais de 15.000 hoje e que deve atingir 20.000 na próxima semana (mais do triplo do número de soldados da MINUSTAH).
Sim, também acho importante que todos trabalhem de maneira unificada e se respeitem, mas, se não forem os EUA, quem vai mandar esse poderio todo em menos de duas semanas para o Haiti? Porque a Itália, a França e nós mesmos estamos falando muito, mas o que mandamos pra lá até agora? Porque não mandamos mais batalhões de engenharia do Exército (dica: estão envolvidos até o pescoço nas obras do PAC), por exemplo? Acho que os americanos exageram, sem dúvida, mas, pra usar uma expressão da juventude atual: fala sério! Que tal os governos pararem de reclamar na mídia e tentarem se resolver? Anti-americanismo tem limites e os haitianos estão esperando.