Antes de mais nada gostaria de externar meus sentimentos à família dos 14 (podem ser 18) militares mortos no Haiti e à família verde-oliva, a qual já pertenci, pela perda de seus integrantes (todos eram do Exército). Se não me engano é a maior perda de uma vez só desde a 2a guerra mundial, mas, infelizmente, é o preço a se pagar pela maior participação no cenário internacional.
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Nelson Jobim e a sua farda
Qual o problema de Nelson Jobim? Desde o primeiro dia que ele assumiu o ministério da defesa, sempre me incomodou o fato dele brincar de soldado, vestindo uma farda completa do Exército sempre que pode. O ministro nunca serviu em nenhuma das forças armadas brasileiras e, incrivelmente, comete uma gafe incrível, que eu nunca vi ser comentada em nenhum órgão de imprensa.
O cargo de ministro da defesa foi criado para estabelecer com mais força o controle civil sobre as forças armadas. O ministro Nelson Jobim, político dos bons e do PMDB ainda por cima, pode até estar jogando para a platéia, tentando garantir os votos dos militares para a eleição que ele planeja disputar, mas ele (assim como seu chefe Lula) diminui o cargo que ocupa com suas ações. Será que nenhum político brasileiro respeita seu cargo, a liturgia, o cerimonial? Nelson Jobim usa uma farda do Exército completa, com insígnia de General-de-Exército (4 estrelas) e até boina. Será que ele não sabe que ele é superior aos generais de 4 estrelas, que ele é o chefe deles? No meio militar, a hierarquia é extremamente importante e vocês podem acreditar que essa pequena distinção não passa despercebida pelo generalato brasileiro.
Jobim é um civil que comanda as forças armadas brasileiras (acima dele só o Comandante em Chefe, o Presidente da República) e devia agir como tal. A visão dele na farda camuflada é ridícula e, no mínimo, ele devia honrar os 14 (ou 18) militares que tinham o direito de vestir essa farda e morreram cumprindo seu dever e retira-la. Não dá nem para dizer que ele ficará parecendo um Fidel ou Chávez da vida, que gostam de colocar a farda de vez em quando, porque esses dois, pelo menos, já foram militares ou já lutaram de verdade. Já Nelson Jobim, parece dizer que sua condição de civil o envergonha, pois até a boina do Exército ele usa. Seria diferente se em determinado momento, em uma área mais complicada, ele colocasse um camuflado, sem insígna de posto, ou usasse uma jaqueta camuflada para andar em área operacionais. Isso poderia até ser normal, mas não, ele não perde uma oportunidade de colocar a farda completa. Nos países ocidentais que tem o cargo equivalente é o único caso que conheço de ministro que toma essa atitude. Nelson Jobim não é membro do Exército Brasileiro, ele é seu chefe!
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O Brasil e a ajuda ao Haiti
E o Governo Brasileiro onde está nessa crise do Haiti? Há anos que falamos que queremos o assento no Conselho de Segurança da ONU, que queremos um papel maior nas decisões do mundo e até mandamos mais de 1.000 soldados para a força de paz de 6.940 militares que está no Haiti. Mas como bons brasileiros, o governo esquece que com maior responsabilidade, vêm junto mais deveres. O ministro Nelson Jobim, talvez único político de expressão que tenha ido imediatamente para o Haiti, disse em uma coletiva de imprensa que: “não estamos medindo esforços para ajudar o Haiti e essa é a orientação do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, gastaremos o que for necessário”. Politicamente foi ótimo, pois Jobim estava ao lado do Presidente do Haiti e o da República Dominicana. Muito bom e ganhou muito destaque na imprensa brasileira, mas e na realidade?
A realidade é que, até agora, o governo brasileiro que não poupa dinheiro e que quer ter uma voz maior no mundo, está mandando para o Haiti, bem menos do que se espera de um pais com essas aspirações. A ajuda brasileira (até agora um hospital de campanha da FAB com 60 militares, um avião com 60 bombeiros dos Estados do Brasil e mantimentos) não recebeu destaque na mídia de nenhum outro pais, não por ser pequena, mas apenas porque diversos outros paises estão fazendo isso ou mais, inclusive Europeus que estão do outro lado do oceano atlântico.
Mas procurem na mídia americana (obviamente), Européia, Ásiatia e até Árabe (Al-Jazeera em inglês), mas não na brasileira, onde não vi nada a respeito ainda, e o que se descobre? Que os Estados Unidos, até agora, estão enviando 3.000 pára-quedistas e 2.000 fuzileiros navais para manter a segurança no país, quase dobrando o contingente que a ONU tem no Haiti. Até 2a feira todas essas tropas estarão no solo, seguindo os 600 precursores que já estão lá e que estão até operando o aeroporto de Porto-Princípe. Alem disso, a Marinha Americana está deslocando mais de 15 navios para a área inclusive um navio-hospital com mil leitos, um porta-aviões, com 20 helicópteros e que servirá de base para os helicópteros da guarda – costeira e da marinha que já foram deslocados para o Haiti. Isso alem dos 100 milhões de dólares já doados de saída.
Os 60 bombeiros e o Hospital de Campanha da FAB não vão ajudar no Haiti? Sim, claro que vão e o Brasil está de parabéns. Mas assim como o México que já mandou quase 100 profissionais de resgate e fez mais de 6 vôos com mantimentos, ou a Inglaterra que mandou 71 profissionais de resgate. Ou a França também. E nenhum deles está há 8 anos dizendo que seu maior objetivo de política externa é uma cadeira no conselho de segurança da ONU.
Não vamos poupar dinheiro? Então para demonstrar respeito ao povo Haitiano e garantir que não foi só uma oportunidade de ganhar pontos politicamente em cima de uma tragédia, porque não enviamos um hospital de campanha do Exército e o da Marinha também, ou os que os Bombeiros têm? Porque não mandamos mais tropas de pronto emprego para ajudar a garantir a segurança no país, porque não mandamos navios da marinha ou helicópteros das três forças para ajudarem no resgate? Para que serve a Brigada Paraquedista do Exército e o Batalhão de Forças Especiais dos Fuzileiros? Por que não mandamos mais batalhões de engenharia do Exército, será que todos estão ocupados nas obras do PAC (se não me engano há uma companhia ou um batalhão que já estava lá)? Isso é que significa não medir esforços e gastar o que for necessário. Menos do isso é política.
Nada de errado com a ajuda que o Brasil está mandando, mas então não façam o barulho que estão fazendo, pois é um desrespeito ao povo do Haiti. Se o Brasil tem ambições de ser grande no cenário internacional é essa a hora de agir e não na hora de ficar falando que vamos negociar com o Hamas, como nosso chanceler fez na semana passada, recebendo imediatamente um pito do Presidente da Autoridade Palestina, ou se metendo nos assuntos internos de outros países, como em Honduras. O Brasil tem aqui a chance de brilhar e se redimir do papel que tivemos em Honduras. Poderíamos assumir um ótimo segundo lugar na ajuda ao Haiti (é impossível competir com os EUA nesse quesito) e receber merecido destaque por isso.
Aliás, onde estão os gurus da política externa brasileira Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia? Só aparecem na hora de falar de papel maior do Brasil, recebendo Ahmadinejad, ou falando da Venezuela, ou das teorias malucas do Presidente da República, como aquela da taxa mundial contra a pobreza? Vamos deixando passar não só uma chance de aumentar nosso papel no mundo, mas de ajudar, de verdade, pessoas que precisam de toda a ajuda possível.
16/01/2010 às 1:19 AM |
No Haiti o Ministro utilizou a farda completa do EB mas já com a insígnia criada e autorizada pelo Presidente da Republica de MD (Ministro da Defesa), repare bem na gola. Ele já utilizou a farda completa da FAB também. O fardamento (FAB,Mar. e EB) depende da missão em que ele se encontra.
16/01/2010 às 8:29 AM |
Eu sinceramente não entendo porque o Lula segue com esta ilusão de conselho de segurança da ONU. Porque com tamanhas mancadas no cenário mundial e indo de encontro com as agendas norte-americanas e alemãs, não sei que chance o Brasil teria nesta briga. Deveríamos é parar com essa corrida armamentista sul-americana ridícula que nos custará muito caro, isso sim..
Agora, que papelão do cônsul haitiano em SP: sem saber que era filmado, disse que “o terremoto foi bom para ganhar a atenção internacional” e, pior: disse que o terremoto deve ter sido coisa de macumba, “todo lugar que tem africano é foda”. (reportagem no o globo de 16/01/2010)
isso tudo para depois tentar se justificar dizendo que não sabe bem o português, mesmo vivendo no Brasil desde 1975. putz..
18/01/2010 às 4:42 PM |
A política externa brasileira, há alguns poucos anos, vem desconstruindo toda uma tradição diplomática respeitada desde o Barão do Rio Branco e, para isso, os casos do gás boliviano e da “estatização” da Petrobrás naquele país, a intermediação de Hugo Chavez em negociações que nada tinham de venezuelanas, a recepção do premier iraniano e vários outros só reforçam a força da ideologia dominante que, infelizmente, vem ocupando como trator o lugar do reconhecido e eficaz profissionalismo diplomático brasileiro. Logo, não imaginaria que algo diferente de muita retórica, promessas e bravatas megalômanas pudesse vir dos atuais integrantes, encabeçados, incrivelmente, por Marco Aurélio Garcia. Incrível que um chanceler e diplomata como Celso Amorim possa se submeter, anos e anos seguidos, às orientações ideológicas daquele senhor, mesmo sendo o Chanceler brasileiro, aquele que fecha acordos diretamente com Mme. Clinton.